quinta-feira, abril 10

Sistema de Cotas: A Involução Humana


O projeto de lei nº. 3.627, apresentado ao congresso nacional pelo MEC no dia 20 de maio de 2004, foi elaborado a partir de sugestões da sociedade aos parlamentares da Comissão de Educação e Cultura.

Esse projeto de cotas universitárias, que assegura a reserva de 50 % das vagas nos cursos superiores e beneficia somente afrodescendentes, indígenas e alunos de rede pública é uma ofensa. Se o presidente Lula der ao projeto de reforma universitária o mesmo destino que deu ao texto original da Acinav, a lata de lixo, fará um favor a seu governo e um bem ao país.

O documento tem 35 páginas, 100 artigos e nenhuma luz. A peça constituiu o mais frontal ataque à sociedade aberta já apresentada pelo governo brasileiro. Esse documento combina agressões ao bom senso, ao método acadêmico, à economia de mercado e à ordem jurídica, com um desprezo solene pela busca do conhecimento.

A proposta universitária acaba com a mais sagrada das conquistas acadêmicas: a meritocracia. A reforma é mais assustadora pelo delírio, pela intenção de elevar as massas ao estágio superior do pensamento apenas pela boa vontade, como em um passe de mágica.

Como podem as mentes esquerdistas petistas discriminar a capacidade intelectual de uma pessoa pela cor da pele, tipo de cabelo ou cor dos olhos? O problema racial não existe no ingresso às universidades públicas, mas quando se chega ao término do curso e se parte em direção de um emprego.

É exatamente neste momento que as pessoas são distinguidas de uma maneira tão sarcástica que não se leva em conta o seu diploma. Foi o que aconteceu na UFPR. A Justiça do Paraná determinou o fim da reserva de 20% das vagas para candidatos afrodescendentes, bem como os 20% de candidatos provenientes de escolas públicas. Boa parte dos negros desse estado conseguiu ingressar na universidade, mas pouco deles conseguiram empregos dignos de sua formação acadêmica.

O Brasil tem um sério problema, complexo e verdadeiro, no campo do ensino superior. Em proporção à população, é um dos países emergentes com o menor número de pessoas cursando o terceiro grau. E a reforma nada faz para minorar esse problema. Ao contrário, em nome de combater questões que só existem nas mentes dos esquerdistas dos autores do projeto, a reforma, se vier a ser implantada, vai restringir ainda mais o acesso de brasileiros às universidades. Reservar vagas, seja a quem for, vai contribuir para a queda de nível de ensino superior. Na USP, por exemplo, três em cada dez candidatos com notas suficientes para passar no vestibular seriam reprovados e, em seu lugar, alunos com médias 60% piores teriam direto à vaga.

O sistema de cotas já está mais que provado de que não é uma solução de educação e nem de inclusão social. O que se tem de fazer em relação aos problemas com os índices de não-aprovação de alunos de escolas públicas é reformar o ensino de base. Investir no ensino fundamental e médio e criar cursos de pré-vestibular gratuito. Quanto aos problemas raciais, as pessoas devem pelo menos tentar acabá-los educando seus filhos e a si mesmo.

A verdade, no entanto, é que associar incapazes, criminosos e mal-caráteres a negros é um dos defeitos de nossa cognição rápida. O Teste de Associação Implícita, criado por psicólogo de Harvard, mostrou que somos propensos a associar idéias positivas a homens brancos, familiares a mulheres e negativas a negros. Mais de quinhentas mil pessoas foram testadas e 80% delas associam brancos a qualidades positivas. A explicação disso é que estereótipos raciais e sexistas dominam o banco de dados que abastecem a nossa cognição rápida. Pois graças aos preconceitos formados desde a infância e absorvidos pela mente durante a vida, nós formamos padrões de julgamentos prontos para ser executados num piscar de olhos. Mas, apesar de levar tempo, é possível mudar os paradigmas com os quais o nosso cérebro trabalha, porque tudo isso vem de uma questão histórica, no século das Grandes Navegações, quando o homem branco começa a querer brincar de Deus e determina pessoas em puras ou não, dentre as quais ele decide apontar o negro como impuro. E se fosse o contrário?

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Paula Vanessa disse...

Dando uma passadinha aquiiii...
dei uma lida por cima,e só tenho a dizer que o assunto foi bem abordado,resaltando o seu encaixe de idéias...
parabéns!
bjim ;*

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