domingo, maio 31 1 FAÇA UM COMENTÁRIO

Droga!(2)


Não sei se por inteligência ou por acaso, deixei o medo (ou outra coisa, não sei!) tomar conta de mim e me fazer não levar o amor a sério. Quando estive tão perto, deixei-o escapulir por entre meus dedos, como alguém que tenta segurar água com as mãos abertas. Hoje vejo que esse foi o primeiro erro.
Agora toda vez que tento tocá-lo, sinto a frieza, a distância e inconscientemente insisto em encontrar nele aquele pedaço de ternura que um dia me fez cair nesta ilusão.Foi este o segundo erro... Burrice!
E por tolice ou por desejo, continuei errando e ainda estou a errar achando que o erro será o caminho que me levará ao acerto. Ou pode ser que isso tudo seja o contrário e eu não tenha cometido erro algum, ou pode ser que apenas camuflei(-amos?!) os acertos sob os erros para não parecer frágil, nem vulnerável ou indecisos.
terça-feira, maio 26 0 FAÇA UM COMENTÁRIO

Entropia


“Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardenteO sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.Escravo Cardíaco das estrelas, Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;Mas acordamos e ele é opaco,Levantamo-nos e ele é alheio,Saímos da casa e ele é terra inteira,Mais o sistema solar, a Via Láctea e o Indefinido” – Fernando Pessoa



Tempos atrás, perturbava-me a ideia fixa de que eu tinha de desvendar de onde veio o universo, para onde essa grande massa de poeira está indo e por que todo mundo buscava teorias. Hoje me pergunto: Para quê?! Se já dizia o poeta que o mundo é indefinido, para que buscar explicação para tudo? Se o universo inteiro está ao alcance das nossas mãos sem ao menos sair de casa? Tanta tecnologia, tanta fumaça, tanta máquina... E o homem? E a filosofia, onde ficam?


Procuramos explicação para a pobreza, fome, guerras, crises financeiras. Centenas de doutores em economia, relações exteriores, diplomatas explicando o caos do mundo. Enquanto isso a cada três segundos morre uma pessoa de fome, os mulçumanos continuam sofrer atentados, casas saqueadas, pessoas assaltadas, e outras morrendo em fila de hospital. Todo mundo tentando explicar por que isso acontece na esperança de alguém aparecer, talvez o Messias, para nos salvar.



Todos temos teorias, todos temos os nossos porquês. Só não há solução. Não há Messias, não há luz no fim do túnel e Obama não é um deus. Todos estamos em casa dormindo sem nem se dar conta de quantos não têm onde dormir, o que comer, nem mesmo o que pensar. Jogamos as responsabilidades para debaixo do tapete e continuamos a ideia fixa de quem vai consertar o mundo são os Estados Unidos e os membros da ONU. Levamos uma vida egoísta e indiferente “enquanto o caos segue em frente com toda calma do mundo”. Não temos mais voz, não criticamos mais e nos desfazemos do direito da liberdade de expressão, não porque foi proibido, mas por não expressarmos mais.


E assim vão se seguindo os dias. Até o fim do mundo chegar. Entretanto, ainda não nos demos conta de que o fim já passou e esta é a nossa segunda chance. Não podemos mais errar.
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Enigma


Um amigo muito famoso, Cubas, certo dia me contou que o melhor que há quando não se resolve um enigma é sacudi-lo pela janela fora. Foi o que eu não fiz. Não lancei mão de uma toalha e nem enxotei a borboleta preta que me adejava o cérebro. Hoje estou a um passo de desvendar o mistério, mas não sei se devo ou se quero. Pois desvendá-lo é por fim na expectativa, na ânsia, na essência de uma meticulosa esfinge, é como platonismo, algo que se realizado perde a graça...Aí então não sei para onde mais caminhar. Um passo a frente me derrubaria no abismo. Um passo atrás me conduziria aos erros repetidos, e os repetir é burrice e retrocesso inaceitável. Perdida de novo?! Não... Faz parte do enigma.



“Tanto amor em mim e em ti nem tanto...”
segunda-feira, maio 25 4 FAÇA UM COMENTÁRIO

Droga!


Droga!

No canto mais obscuro da mente, onde já não há mais diferença entre sonho e imaginação, padece a euforia de um destino incerto. Uma confusão no cérebro, uma amálgama, um tumulto tão grande no racional, mas que ironicamente causa um desesperado conforto ao coração. Pois pessoas inacessíveis são diabolicamente sedutoras. Quanto mais intocáveis, maior o desafio e o desejo. Não só o desafio de atingi-las, mas o de não querer atingir, o de não conseguir desistir. Por isso confunde, tortura, bagunça e exorta um quebra-pau interior.

Pior é quando sonho, imaginação e desejo se misturam e criam uma falsa realidade. Um paradoxo terrível é encontrar alguém (atingível) e com caractrerísticas tão semelhantes às inatingíveis até mesmo no Capricho do cheiro, mas não querer tocá-las, não sentir acelerar os movimentos do miocárdio. Ter tudo o que se deseja da pessoa inatingível mas que não vem dela. Uma linha bem torta, escrita por não sei quem, criou a incerteza, ironia e sarcasmo do destino.

quinta-feira, maio 21 1 FAÇA UM COMENTÁRIO

Reckoner


Calculista
Podes levá-lo com você
À dança, conforme seu prazer?


Não é de se culpar
Pelos doces perturbadores acridoces
Não ousam seu nome pronunciar
Dedicado a todos os horrores
Todos seres humanos, pecadores.
Pois somos distintos
Separados pela chuva
Como murmúrios numa praia negra
Pois estamos separados pelo destino
Pelos abismos e arcos-íris


Ah, Calculista
Leve-me contigo!
Dedicado totalmente a ti
E a todos os seres humanos...

quinta-feira, maio 14 4 FAÇA UM COMENTÁRIO

Divisão


Às vezes me pergunto o que está acontecendo comigo. Sinto meu corpo mudar, minhas ideias, minhas habilidades. Aprendi a conviver com tanta coisa esdrúxula, aprendi a aceitar as decisões dos outros, aprendi a ver as coisas sob o altruísmo. Agora me sinto leve...
Mas a minha maior lição foi aprender a dividir as pessoas umas as outras. Sem ciúmes, sem birra, sem pirraça, advogada do relacionamento aberto. Porque não fomos criados para limitar um sentimento a um só.
Não fomos criados para ser tão egocêntricos para privilegiar apenas uma só pessoa com amor, carinho, respeito e admiração. A fidelidade é a criadora da infidelidade que por sua vez é quem destrói um relacionamento até então saudável.
Tudo por causa de um egoísmo, de querer o outro só para si, de querer impor limites aos desejos, de não ter autoconfiança. Um medo incessante de perder o outro como se um dia se tivesse posse dele. Isso estraga. Estraga a amizade, a cumplicidade, a simbiose e a liberdade. E prende e sufoca e acaba. Então ambos os lados se decepcionam e vivem o pesadelo da divergência.
Por isso me convenci que aprender a viver é pôr a sabedoria em prática. É deixar de tradicionalismo e de ética estreita e então usar a astúcia em prol de si e de quem se quer estar ao lado, mesmo que este não esteja só com você, pois o bom mesmo é estar bem, estar compartilhando alegrias, estar perto sem perder a LiBeRDaDe!

***


Aprendi a dividir os outros. Difícil será eu aprender a me dividir.
=/

Quem, em nome da liberdade, renuncia a ser aquilo que devia ser, já se matou em vida: é um suicida de pé...
 
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