terça-feira, janeiro 12 0 FAÇA UM COMENTÁRIO

Loucura é liberdade


"Coragem, vamos! Dissimular, enganar, fingir, fechar os olhos aos defeitos dos amigos, ao ponto de apreciar e admirar grandes vícios como grandes virtudes, não será, acaso, avizinhar-se da loucura? Beijar, num transporte, uma mancha da amiga, ou sentir com prazer o fedor do seu nariz, e pretender um pai que o filho zarolho tenha dois olhos de Vênus*, não será isso uma verdadeira loucura? Bradem, pois, quando quiserem ser uma grande loucura, e acrescentarei que essa loucura é a única que cria e conserva a amizade. Falo aqui unicamente dos homens, dos quais não há um só que tenha nascido sem defeitos, e admitindo que, para nós, o homem melhor seja o que tem menores vícios. É por isso que os sábios, pretendendo divinizar-se com sua filosofia, ou não contraem nenhuma amizade ou tornam a sua uma ligação áspera e desagradável. Além disso, só costumam gostar sinceramente de raríssimas pessoas, de forma que nenhum escrúpulo me impede de asseverar que não gostam absolutamente de ninguém, pela razão que vou apresentar. Quase todos os homens são loucos; mas, porque quase todos? Não há quem não faça suas loucuras e, a esse respeito, por conseguinte, todos se assemelham; ora, a semelhança é justamente o principal fundamento de toda estreita amizade."

Erasmo de Rotterdam - Elogio da Loucura



*Costumava-se pintar Vênus com os olhos um pouco estrábicos, para despertar o amor e o desejo, e porque o estrabismo de certas mulheres não passa de pura afetação.
segunda-feira, novembro 30 2 FAÇA UM COMENTÁRIO

Amar o amor

Estava preparando-me para dormir quando pendurou-se-me uma idéia no trapézio de meu cérebro, começou a dar cambalhotas e despertou esta louca vontade de escrever. Escrever com ousadia. Pois na forma mais sensata de mundo, o verbo que jamais se deveria conjugar no imperativo é o verbo amar. Aprendi com o velho Brás que o amor da glória era coisa mais verdadeiramente humana que há no homem, a sua mais genuína perfeição.


Mas ame mesmo, ame muito, ame sem medo e sem vergonha! Quem disse que existe amor proibido? Amem-se o médico e paciente, o patrão e empregada, o professor e a aluna. Amem-se os heteros, homos e bi. Com bis. Amem-se o velho e o moço, o Pierrot e a colombina, a bela e a fera, o King Kong. Amem-se a rica e o pobre, a negra e o branco, América e Europa, Iraque e Estados Unidos, Brasil e Argentina. Marília e Dirceu, Brás e Virgília, Miranda e Estela. Amem-se Bentinho, Escobar e Capitu. Amem-se Pelé e Maradona, Romário e Edmundo. Amem-se Pepsi e Coca-cola, Adidas, Bandidas e Nike . Ame seus amigos e até os inimigos. Ame seu país, seus pais e filhos. Ame Deus, Jesus e Maria. Ame-se.


Pois o amor não tem idade nem profissão. Não tem lugar nem hora. Não é concreto e nem abstrato. Não é vidro, plástico ou papel. Não é ruim, nem péssimo, nem horrível. Não é mais ou menos. O amor é sublime, é lindo, é fervoroso, é esplêndido, é cordial, é louvável, é inquestionável, é de graça e transferível, é insano e saudável, é claro e enigmático, é doce, encantador e nos deixa com cara de bobos.


Mas amar é diferente. Amar é tudo isso elevado ao infinito. De que se vale o amor se não nos valermos a amar? Ame. Ame mesmo. Ame muito, agora e sempre!

terça-feira, novembro 3 2 FAÇA UM COMENTÁRIO

Eu versus Eu


Fazia lua cheia que condizia com a data. Parecia até coisas de Hollywood. Atrás de outra sombra, tomei um carona, rodei a cidade, atravessei a ponte e desci no meu destino meio frustrado.

Acometida pelo álcool alucinógeno, mirei no espelho do elevador e vi que estava vestida à caráter do meu próprio mundo insano. Talvez. Dane-se a sociedade conservacionista. A madrugada ainda era minha!

Parei à porta, respirei fundo e toquei centenas de vezes aquela campainha muda que nada ressoava naquele apartamento. Pensei em desistir e ir atrás da própria sombra desta vez. Ir para casa, descansar e refletir: isso é certo? Devo eu recrutar as criaturas no meu mundo ou simplesmente deixá-las multiplicar sozinhas como deus faz com o seu? Respondi comigo: vou parar de filosofar. A porta se abriu e entrei.


Sem mais indagações... Por hoje!
quinta-feira, outubro 22 0 FAÇA UM COMENTÁRIO

Ufa...

Um mês de perrengue e nada de tempo para o blog... Acumulei tantas histórias que nem sei por onde começar... Mas vou falar aqui de uma das coisas que me tomou o tempo do mês:
Uma turma chamada Terceiro Ano B do Colégio das Irmãs...

Foi com eles que passei quinze anos da minha vida. Eu sei que saíram uns e entraram outros, mas quando a gente chega no último ano, incrivelmente reencontramos eles todos ou pelo menos a maioria... E fico lembrando e me vem aquela frase clichê: "tempos que não voltam mais"...
Desce a lágrima, sobe a nostalgia e sai o grito: somos campeões!

Vai o vídeo!





Posso ter a fama de ser sem sentimentos, mas se saudades for um deles, quebrei esse tabu!
Abraços galera!
segunda-feira, setembro 21 1 FAÇA UM COMENTÁRIO

O tempo e o silêncio são realmente sábios... Eles me ensinam a esquecer, a recordar, a rir do passado que antes chorava. Perpetuam cheiros, cogelam sensções no seu determinado tempo. Foi assim que evoluí e é assim que eu espero que as pessoas cresçam... Sem esquecer o que somos, de onde viemos, se foi desta terra do sol ou da lua. Crua, como o egoísmo, fui cruel e não me arrependo.Porque o tempo me corrige e o silêncio me perdoa, ou seria o contrário. Sou assim... Meio sem o sã, mas com filosofia...profana! =0
 
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