sexta-feira, julho 10 1 FAÇA UM COMENTÁRIO

Doce Solidão


Estendida numa rede armada na varanda, pude enfim ouvir o silêncio da calmaria. Sozinha, satisfeita com o vazio, deixo minha mente se abrir e fecho os olhos para sentir o vento frio que me embaraça os cabelos. Coisa difícil é deixar a mente vazia. Sempre tem alguém pra pensar ou uma esfinge pra responder.

Mas que confusão! Solidão não é estar sozinho. É não conseguir tirar da cabeça quem se sente saudades. Doce solidão esta que é estar com alguém mesmo que seja apenas nos pensamentos. É a lembrança que não causa dor, que me faz rir sem motivo na mais autêntica forma de felicidade na maior prova de que o passado Veleu a Pena!!

"Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida."




Foto: Créditos para Marcelo Camelo (Los Hermanos)
domingo, junho 28 0 FAÇA UM COMENTÁRIO

01:42


Ali
De pé, esqueci
Aquela tolice que te prometi
Mas é que não consigo evitar
Sentimento não é pra se guardar
Tu, nua, e eu na rua
Saudade sua
suada na zuada
Corri encabulada
Te pedi pra não fazer isso
Mas sei que não se importa comigo
Tentei ser teu amigo
E te dar abraços sem sentido...


"
O jeito é: ou nos conformamos com a falta de algumas coisas na nossa vida ou lutamos para realizar todas as nossas LOUCURAS... Quem não compreende um olhar tampouco compreenderá uma longa explicação."




quinta-feira, junho 18 2 FAÇA UM COMENTÁRIO

Cacaufobia


Quando engoli meu Talento, me perdi num coma alcoólico. Na alucinação desta dimensão incerta, levei um Chokito, esqueci meus Snickers e então andei descalça e só num mundo profano, cheio de asco e de espiões que surgem de todos os cantos. No meio do caminho ouvi a multidão gritar Bis enquanto a banda passava Batom nos Garotos. Já não existe mais quem goste de Serenatas. Já não existe nem ao menos a Sensação de estar em silêncio. Todos estão correndo atrás de Diamantes Negros para obter Prestígio num montanhoso Alpino de confusões.

Quando engoli meu Talento, me esvaziei das vontades, dos Sonhos de Valsa e das aspirações. Deu vontade de comprar este lugar e ateá-lo fogo com todos estes papéis Meio Amargos rabiscados de ócio, remorso, covardia e conformismo.

Quando engoli meu Talento, joguei fora um potencial de vida longe. Escondi minhas aptidões para não me maltratar. Camuflei a Doçura para não me confundir. Pulverizei as Trufas dos triunfos e me redimi. E tudo terminou como um nó, engravatado, sufocado, esquecido.
segunda-feira, junho 15 1 FAÇA UM COMENTÁRIO

Dezessete anos


Sábado, acordei com o Sol a me abraçar dizendo “Feliz Aniversário”. 17 anos. Agora vejo o quanto mudei no físico, no psíquico, no espírito e na ânsia. Eu costumava temer o mundo, criar realidades, chorar de emoção, ter dó, correr do perigo, preocupar com coisas pequenas, ter bons modos, bom gosto. Eu costumava ter fé e acreditar em deus. Religião é crença, não é saber.

Mas estes meus dezessete anos me viraram do avesso. Mostraram-me um mundo além da luz e das sombras, encheram-me de vícios e virtudes, habilidades e coragem. Criei hábitos que até então repudiava, criei minha própria moda, construí pensamentos próprios e sustento-os com alento. Aprendi a silenciar um amor e a guardar outros. Revoguei minhas jurisdições, aplaudi rebeldias, parei de planejar e comecei a aventura.

Sinto um alívio em meio de tantas pressões. Sinto o cheiro do mar a 450 km de distância. Sinto o cheiro do mato e escuto o chiar das cachoeiras. Não me arrependo das mudanças. Não tenho remorso em pensar se o que estou fazendo é certo ou errado, apenas tento me confortar, tento sair do corpo, perder o freio, curtir o último ano de minha adolescência. Apenas desafio os diversos sabores, para quando adulta tiver maturidade proveniente tanto das ideias como das experiências até poder lançar a voz e argumentar. Maturidade que meus dezessete anos não me deixaram perder a cabeça, não deixaram me perder com as indagações de Bacon e Descartes que desafortunadamente procuravam uma só verdade e como o erro é possível.

Evoluí aos moldes do séc. XXI. E continuarei evoluindo até estar no erro ou na verdade, dependerá de mim mesmo, da minha consciência, e, por isso preciso saber se posso ou não conhecer a verdade que me acabará com a evolução.
domingo, maio 31 1 FAÇA UM COMENTÁRIO

Droga!(2)


Não sei se por inteligência ou por acaso, deixei o medo (ou outra coisa, não sei!) tomar conta de mim e me fazer não levar o amor a sério. Quando estive tão perto, deixei-o escapulir por entre meus dedos, como alguém que tenta segurar água com as mãos abertas. Hoje vejo que esse foi o primeiro erro.
Agora toda vez que tento tocá-lo, sinto a frieza, a distância e inconscientemente insisto em encontrar nele aquele pedaço de ternura que um dia me fez cair nesta ilusão.Foi este o segundo erro... Burrice!
E por tolice ou por desejo, continuei errando e ainda estou a errar achando que o erro será o caminho que me levará ao acerto. Ou pode ser que isso tudo seja o contrário e eu não tenha cometido erro algum, ou pode ser que apenas camuflei(-amos?!) os acertos sob os erros para não parecer frágil, nem vulnerável ou indecisos.
 
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